Bienal de Coruche ’09

Apesar do atávico cinzentismo nacional, que nos nossos dias teima estar em alta, mais uma vez se reuniram condições para que o colorido projecto “Bienal de Coruche” trouxesse a esta vila um Salão de Artes Plásticas que já se constituiu como uma referência para muitos artistas, população local e apreciadores em geral. Neste ano de 2009 assistimos à 4ª edição e por isso já se nos é permitido alguma História. O que há seis anos poderia parecer um projecto inconsequente e superficial, um capricho ou uma “feira de vaidades”, dados os escassos recursos disponíveis e a inexistência de histórico local nesta área, a Bienal provou ser aquilo que se pretendia desde o início – um espaço de inovação, de encontro, de prazer intelectual e de experiência cultural para muitos, contribuindo para a valorização cultural e social da região. Se numa primeira fase a Bienal de Coruche perseguia um nicho dentro da produção artística, na expressão do neo-figurativo, com o tempo viemos a reconhecer uma apetência por parte de diferentes sensibilidades que se constituíram progressivamente como uma mais-valia cultural.

Este tipo de acontecimentos artísticos é uma oportunidade de crescimento intelectual que não se deve desprezar. Infelizmente, a Escola dos nossos dias subvaloriza o ensino artístico como potenciador de aprendizagens. Um jovem envolvido em actividades de compreensão artística, potencia habilidades manuais, desenvolve os sentidos mas sobretudo desenvolve a mente e as suas capacidades de discernir, interpretar, compreender, representar, imaginar. Também na vertente didáctica a Bienal tem sabido articular-se com o trabalho desenvolvido nas escolas, contribuindo para a humanização de sucessivas camadas jovens no sentido completo e pleno da palavra.

Não existe humanização sem partilha, sem comunicação. Ao afirmar que na arte encontramos uma forma privilegiada de educar e comunicar, estamos a implicar o artista como agente de mistérios, que dão a conhecer a intimidade e a sua interpretação do mundo, o que nos enriquece humana e espiritualmente. Com ele partilhamos o conhecimento e o fenómeno criador e é essa a essência que queremos perpetuar em mais uma Bienal de Coruche

Carlos Janeiro –  COMISSÁRIO DA EXPOSIÇÃO

Categories: IV Bienal de Coruche | Deixe um comentário

Navegação de artigos

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

site na WordPress.com.

%d bloggers like this: